Especial Taça Brasil Sub 20: saibam o que tornou a equipe Palmeiras/Osasco campeã

Vários fatores fazem uma equipe campeã. Organização, foco nos objetivos, união e trabalho são alguns que podemos citar. Porém, é preciso mais do que isso. Para conquistar um título no futsal são necessários três importantes itens: disposição, coração na ponta do tênis e alegria. A equipe feminina do Osasco/Jaguaré/Palmeiras/UniSant’Anna (SP) valeu-se disso para conquistar, no último domingo (13), a inédita Taça Brasil Sub 20 – Divisão Especial – na cidade de Caçador (SC).

Afinal, uma boa estrutura não faltou para o time, contando com ônibus, alimentação e hotel adequados. O diferencial começou a ser encontrado na disposição de quem trabalhou nesta Taça. Tanta era a vontade de vencer que a equipe se uniu, antes de começar a competição, utilizando dois expedientes interessantes: todas as atletas do Verdão usaram fitas verdes no pulso, bem como pintaram suas unhas dessa mesma cor. Se, no masculino, times inteiros pintam ou raspam o cabelo para mostrar a força do conjunto, as meninas tinham que fazer a sua versão.

E, dispostas à glória máxima em sua categoria, não mediram esforços. Durante a semana de seis jogos, treinaram quatro vezes. Folga era sinônimo de treino. Para as comandadas do técnico Tadeo Anéas, não bastava apenas vencer partida após partida, mas sim buscar a perfeição.

Toda essa disposição foi levada para quadra, e somou-se ao coração na ponta dos pés. Só isso para explicar um time que vence Londrina (PR), logo na primeira rodada, faltando um segundo e oito décimos para o fim. Com o detalhe que o mesmo Verdão estava, há dois anos, perdendo uma classificação na edição pregressa da Taça Brasil Sub 20 faltando… dois segundos!

Vieram as partidas contra Dom Bosco (MS), Nacional Gás (CE) e o sediante Kindermann. O Verdão ficou com o primeiro lugar no Grupo B valendo-se do mesmo espírito determinado, agregado à mais um fator: a alegria. Sim, pois responsabilidade elas já mostravam, lutando por cada lance, não havendo bola perdida. Por que não, mostrar também a alegria de jogar futsal? E, sem vergonha alguma, elas mostravam, comemorando os gols com coreografias. Cada tento anotado, uma dança diferente.

Semifinal. Faltavam dois passos para o paraíso. Mas, a goleira e capitã Camila, no vestiário, alertou ao time: “Se a gente não ganhar hoje, não tem amanhã; temos duas finais para fazer, e hoje é a primeira. Faz dois anos que esperamos por esse momento, e ele chegou. Agora é a hora!” Não deu outra: 4 a 1 em cima da Hidráulica (GO).

Era visível que se tratava de um time preparado não apenas taticamente e fisicamente, mas dotado de força mental. Afinal, o Jaguaré/Palmeiras contava com o trabalho de uma psicóloga. Mariana Maeda já vinha preparando as meninas desde Osasco, e estava presente em todos os momentos da Taça Brasil Sub 20.

Que venha a decisão, contra o Kindermann. Que venha o público, que realmente deve fazer sua parte para apoiar o time local. As osasquenses, ainda que visitantes, tinham sim a obrigação de lutar pelo que tanto sonhavam.

Mas, para a cidade de Osasco, tudo vem com sofrimento. Isso torna a conquista mais saborosa. Tinha sim que durar 40 minutos de tempo normal sem gols. Tinha sim que ter uma prorrogação com duas finalizações na trave do adversário e um gol perto do fim. Tinha sim que ter o gol amargo, tomado 50 segundos depois.

E, tinha sim, que acontecer os pênaltis. Aqueles minutos que parecem nunca acabar. Em cada cobrança, expectativa e tensão. Que não eram de privilégio apenas dos presentes no Ginásio Paulo Schieffler, mas também podiam ser encontradas em diversos pontos do Brasil, e até fora do país. Parentes das atletas, companheiras da equipe Principal e Sub 17, ex-atletas do clube, torcedores que admiram essas meninas alviverdes tentavam acompanhar a dramática decisão. Quis o destino que ela não fosse transmitida, por problemas com a internet em Caçador.

Tudo isso, para, no 18º chute, a goleira Camila pular para defender, e dar o título ao Jaguaré/Palmeiras. Conquista comemorada, claro, de forma original, com camisas fazendo a frase mais do que justa “Nós somos campeãs”. Hora de extravasar. Hora de comemorar o entrosamento, que há de sobra, em uma equipe que não perde há muito tempo.

Com informações de Ricardo Silva – Fotos: Ricardo Silva


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